quinta-feira, 22 de março de 2012

pelos velhos tempos :)

hoje li isto, e apeteu-me colar aqui :) pelos velhos tempos :) 
porque amanhã não sei... 
mas hoje tenho quem me abra a porta, que espere por mim para começar a comer... 
e talvez acabe por ir ficando até amanhã porque a verdade é que não parece querer desaparecer logo a seguir :)



As mulheres têm fios desligados - Crónica de António Lobo Antunes 

As mulheres têm fios desligados
Há uns tempos a Joana
- Pai, acabei um namoro à homem.
Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda
-Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim.
O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de
- Já não gosto de ti
de
- Não quero mais
chegam com discursos vagos, circulares
- Preciso de tempo para pensar
- Não é que não te amo, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas
ou declarações do género de
- Tu mereces melhor do que eu
- Estive a reflectir e acho que não te faço feliz
- Necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta
e aos amigos
- Dá-me os parabéns que lá me consegui livrar da chata
- Custou-me mas foi
- Amandei-lhe daquelas lérias do costume e a gaja engoliu
- Chora um dia ou dois e passa-lhe
e pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar
(chichi, sede, fome, a janela de que se esqueceram de baixar o estore)
ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas,
pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarradas à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo? Lembro-me de um sujeito que explicava
- O maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é saber que durante uma semana estou safo
e depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las. O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
- As mulheres têm fios desligados
e um outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez. Meu Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam
- Já não gosto de ti
se informam
-Não quero mais
aí estão eles a alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte, a ameaçarem matar-se, a preseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores eles que nunca mandavam flores, a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela puta há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-gagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, com o Che Guevara ou eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham. Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhe caia na sorte um caramelo que passe à frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persiana-mal-descida-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia
(para citar noventa por cento dos escritores portugueses)
- O problema não está em ti, está em mim
a mexerem na faca à mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens: até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Shubert. De Ovídio. De Horácio, de Virgílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável, a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde, idiota, desonesto.
Fui
(espero que não muitas vezes)
rasca.
Volta e meia surge-me na cabeça uma frase de Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde demais. Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa-se de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. O problema não está em ti, está em mim, que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc., que mulher não ouviu bugigangas destas? Uma amiga contou-me que o marido iniciou o discurso habitual
- Mereces melhor que eu
levou como resposta
- Pois mereço. Rua.
Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra. Rua. A mesma amiga para uma amiga sua
- O que faço às cartas de amor que me escreveu?
e a amiga sua
- Manda-lhas. Pode ser que lhe façam falta.
Fazem de certeza: é so copiar mudando o nome. Perguntei à minha amiga
- E depois de ele se ir embora?
- Depois chorei um bocado e passou-me.
Ontém jantámos juntos. Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto. Palavra de honra que na janela uma árvore a sorrir-me. Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me. 

segunda-feira, 19 de março de 2012

Ainda bem que gostaste :)



Ainda bem que gostaste :)

... pelo Homem especial que és, e por todo o orgulho que tenho em ser tua filha.
Obrigada, por tudo o que representas na minha vida, contigo sou mais feliz, Feliz Dia do Pai!!!

... não posso dar-te um abraço apertado hoje, por isso seguiu uma mensagem doce :)

sábado, 17 de março de 2012

Fiesta de Primavera y Cumpleaños de Vânia




e ontem foi dia de festa :) a famosa Festa de Primavera de Granada, não fomos de botellon, pero hemos ido de tapas y despues bailamos asta no poder más :) Ha sido una noche muy divertida, despues de las tapas nos quedamos a la Kapital y lo pasamos muy bien. Muchos chicos muy muy jovens pero la musica estava chula. Só faltou mesmo mesmo o belo do churro antes de volver a casa, pero en la proxima será :) 
Agora, de volta a Granada para aproveitar o sol e certamente o rio, e tudo o que me encanta cada dia mais nesta terra da Andaluzia, Hasta Ahora 

sexta-feira, 9 de março de 2012

old old old times :)






e tinhamos uma letra tão bonitinha para isto, lembram-se meninas?!?! :)
     

porque hoje é dia 9

pelicula de hoy

podia fazer uma lista (e ia ser grande) de todos os filmes que tenho visto ultimamente (até era uma ideia gira, começar no cinema alternativo e acabar no mais convencional)... este foi o escolhido de hoje... 
esta muy bien, he gustado mucho



Quando nos Apaixonamos

Quando nos apaixonamos, ou estamos prestes a apaixonar-nos, qualquer coisinha que essa pessoa faz – se nos toca na mão ou diz que foi bom ver-nos, sem nós sabermos sequer se é verdade ou se quer dizer alguma coisa — ela levanta-nos pela alma e põe-nos a cabeça a voar, tonta de tão feliz e feliz de tão tonta. E, logo no momento seguinte, larga-nos a mão, vira a cara e espezinha-nos o coração, matando a vida e o mundo e o mundo e a vida que tínhamos imaginado para os dois. Lembro-me, quando comecei a apaixonar-me pela Maria João, da exaltação e do desespero que traziam essas importantíssimas banalidades. Lembro-me porque ainda agora as senti. Não faz sentido dizer que estou apaixonado por ela há quinze anos. Ou ontem. Ainda estou a apaixonar-me.

Gosto mais de estar com ela a fazer as coisas mais chatas do mundo do que estar sozinho ou com qualquer outra pessoa a fazer as coisas mais divertidas. As coisas continuam a ser chatas mas é estar com ela que é divertido. Não importa onde se está ou o que se está a fazer. O que importa é estar com ela. O amor nunca fica resolvido nem se alcança. Cada pormenor é dramático. De cada um tudo depende. Não é qualquer gesto que pode ser romântico ou trágico. Todos os gestos são. Sempre. É esse o medo. É essa a novidade. É assim o amor. Nunca podemos contar com ele. É por isso que nos apaixonamos por quem nos apaixonamos. Porque é uma grande, bendita distracção vivermos assim. Com tanta sorte.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público (14 Fev 2012)'

quinta-feira, 8 de março de 2012

por aqui...



por aqui continua tudo bem :) a casa anda mais calma, mais silenciosa, mas está tudo a correr bem. 

continuo encantada com esta terra, e especialmente com as pessoas. estou feliz! cada dia há uma coisa nova, um sorriso novo, um episódio melhor ou pior, mas vai-se vivendo bem aqui :) 

gosto do que estou a fazer, sinto-me integrada na fundação, e o carinho das ninãs é inexplicável e faz acordar todos os dias com vontade de as reencontrar. às vezes há dias menos bons, em que algo nos tenta puxar para baixo, mas normalmente depois surge um sorriso, ou um fea, guapa, tonta, guapa tu e tudo volta a fazer sentido. 

os dias têm sido de sol, o que ajuda a estar com boa disposição, já fui à serra nevada, mas como tem chovido pouco, não havia muita neve. apesar disso, valeu a pena, pelo caminho há vistas fantásticas. cada semana descubro mais um bocadinho de Granada, e desta forma o meu encanto pela Andaluzia vai aumentando :) 

vou matando as saudades dos que ficaram, e vou aguardando visitas. vai saber bem partilhar convosco esta minha nova experiência. 
na Páscoa vou puder matar as saudades do meu príncipe mais pequeno :) e por a conversa em dia com os meus amigos do coração :) esta semana vou melhorar ali o telheiro improvisado no terraço :) 
entretanto a família já cá voltou, e cada vez que parte vai, também ela, um bocadinho mais encantada com isto.

amanhã é dia de festa de Carnaval na fundação, vamos mascarar as niñas e levá-las à discoteca, estão tão, mas tão entusiasmadas, deviam ver :) uma delas diz que amanhã vamos elegir 6 novios para mi, en la disco, para despues les hacer patatas con huevos :) isto fora de contexto parece raro, mas é uma alegria :) às vezes queria puder gravar estes momentos, e os seus sorrisos :) é certo que vão ficar para sempre comigo, mas gostava de os partilhar e puder rever para sempre.


há dias em que a vida faz muito sentido e em que te sentes realmente feliz e por aqui os dias são quase sempre assim :)


o meu presente :)

o meu presente de dia da mulher foi um poema :)
não sei se algum dia me vais levar à ópera, mas também deixa lá entretanto aprendi que nem todos os requisitos, desta lista imaginária que fazemos do nosso homem ideal, têm de ser preenchidos, basta que de vez em quando eles vão surgindo, nem que seja por uma vez na vida, em um caso pontual :)
o meu presente de dia da mulher foi um poema :) lindo, onde todas as palavras encaixam naquilo que vivemos :) o meu presente de dia da mulher foi um poema :) e um sorriso do tamanho do mundo :)

... e não, não vou publicar o poema que me dedicaste, as palavras de hoje, quero-as só para mim :)














       "Everyone Needs a Co-Pilot" :)